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Hortelã Pimenta

Hortelã Pimenta

02
Fev19

A Rádio


Constança

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Descobri uma estação de rádio de outros tempos.

Imagino um estúdio à antiga, escuro, sem janelas, com um ambiente de bar dos anos 80 ou 90.

O lucotor, imagino, é um homem na faixa dos quarenta e muitos, numa fase da vida em que já não tem pachorra para tocar aquilo que os putos gostam de ouvir. Está-se perfeitamente nas tintas para isso e só já toca aquilo que lhe apetece ouvir, aquelas músicas que tiveram algum papel especial em algum momento da sua vida. Acredito que tenha tido uma vida. 

Toca Brian Ferry, toca Eagles, Kim Wild e George Michael com fartura.

Sempre muito calmo, entra no estúdio forrado com papel de parede e depois de acender a luz que inunda o espaço com uma claridade ténue e amarelada, senta-se e acende um cigarro. Usa discos antigos em vinil que reagem com nostalgia quando coloca a agulha naquela preciosidade negra que gira sempre a uma velocidade constante, hpnotizante. É nesse estado que umas músicas vão puxando outras, sem alinhamento, como se de uma conversa se tratasse. Vou seguindo esta sucessão de letras, artistas e músicas, todas elas têm um espaço temporal muito específico. Consigo perceber algumas histórias que está a contar naquele momento. Entro na conversa. Entendo-o perfeitamente.

Gosto de ouvir especialmente à noite, quando a conversa e histórias  que se contam fluem melhor e de maneira interessante.

28
Jan19

2018


Constança

Uma das coisas que me mais
prazer me deu ter feito em 2018, foi reencontrar-me com o passado,  reencontrar-me a mim própria.
Voltei a um, aparentemente, insignificante lugar, dos mais importantes da minha vida, reencontrei pessoas que, sabendo ou não, fizeram de mim a pessoa que sou hoje, passados 30 anos de me ter lançado no meu próprio caminho, conhecer outras pessoas, outros lugares. Na adolescência da vida temos de abrir as asas e voar, deixar alguns daqueles irmãos de crescimento, que não são sangue do nosso sangue.
2018 foi um ano de tantas mudanças e provações, que este regresso ao passado, à minha essência, não podia deixar ter o maior sentido. Percebi que eu ainda estou lá para mim, sempre que for preciso.
Aquele lugar e aquelas pessoas foram de encontro à minha teoria de que, não temos que viver no passado, mas temos que manter o passado vivo em nós. Não podemos esquecer que foi ele que nos fez, que nos construiu.
Cada lugar por onde passei e cada pessoa que, na sua singularidade, por mim passou, fez aquela miúda crescer e tornar-se naquilo que hoje sou. O nosso interior é feito de gentes e sítios. É feito de memórias que nunca se apagam, quer nos lembremos ou não.

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14
Out18

A vida que Deus lhe deu


Constança

Ninguém percebeu quem era o homem que, na igreja, se colocou frente do caixão. Falou, discursou, opinou.

Os presentes, alguns, que não eram familiares diretos, não faziam ideia e convenceram-se que seria algum familiar ou mesmo alguém da confiança da família.

Só no final do monólogo perceberam que aquela pessoa que vestia uma camisa e umas calças de ganga não era nem mais nem menos, que o padre.

Começa o falatório muito baixinho... porque é que o padre não ia vestido de padre? Poderia não ter tido tempo de se trajar, dada a hora da noite? Que coisa estranha se passava ali?

Pois... tudo não passou de um favor, uma migalha que a igreja deu aos páis destroçados, os suícidas são pecadores, não merecem ser encomendados, atentaram contra a vontade de deus. Ainda assim, com receio de ser igualmente pecador, o padre (porreiro, porque até lá foi) apresenta-se "à civíl", tipo off the record, não se compromete.

Segundo consta, estes suícidas, pecadores, não têm mesmo direito a entrar no céu, ficam no purgatório.

Esta, meus amigos, é a igreja de misericórdia, a igreja que acode e acolhe os aflitos, a igreja que representa o amor e a fraternidade eterna e suprema.

Bem, o assunto do homem misterioso ficou resolvido.

Os factos são só para quem os quer vêr. Por isso abandonei a igreja há muitos anos. Por isso não acredito em padres nem religiões. Por isso só lá entro, básicamente em duas circunstâncias, ou num casamento a contar o tempo que falta para a festa, ou num velório porque, infelizmente, é o sítio para onde foram todos os mortos que conheci.

Desta história só há uma coisa a reter:

Ainda não tinha 25 anos e não conseguiu viver com a vida que deus lhe deu.

Atirou-se da Ponte 25 de Abril.

 

 

Nota: Não escrevo igreja, deus, nem outras cenas, com letra maíuscula por vontade própria. 

 

 

  

   

06
Set18

Pé de chinelo


Constança

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Espero por ti horas infindáveis...pego na mochila de pseudo artista e vou sentar-me na tasca mais xunga que encontrei nos últimos tempos. Tem duas mesinhas na rua e, é lá que me sento, por não aguentar o cheiro de vinho e bagaço que emana do interior.

Reparo, à medida que tiro o material dos rabiscos, que a mesa cola com tanta sujidade. Nem quis olhar à volta. Quando chegares hás-de chamar-me pelo nome e sei que és tu.

A coisinha mais agradável que arranjei para aguarelar foi o meu pé de chinelo, ornamentado com um vestido de verão, abanando por baixo da mesa imunda.

Por fim, ouvi o meu nome. Vamos para a praia.

10
Ago18

Devaneios de Verão - Sol


Constança

Sabe-me bem o  quentinho do sol nas costas. Dá-me sono e faz-me viajar.

Hoje quando sair da praia vou comprar material de aguarela, vou pintar a minha viagem da próxima semana. Vou tirar fotos, mas algumas coisas vou só pintar. É tal experiência de pintar e desenhar em vez de tirar fotografias. 

😉

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