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Hortelã Pimenta

Hortelã Pimenta

14
Out18

A vida que Deus lhe deu


Constança

Ninguém percebeu quem era o homem que, na igreja, se colocou frente do caixão. Falou, discursou, opinou.

Os presentes, alguns, que não eram familiares diretos, não faziam ideia e convenceram-se que seria algum familiar ou mesmo alguém da confiança da família.

Só no final do monólogo perceberam que aquela pessoa que vestia uma camisa e umas calças de ganga não era nem mais nem menos, que o padre.

Começa o falatório muito baixinho... porque é que o padre não ia vestido de padre? Poderia não ter tido tempo de se trajar, dada a hora da noite? Que coisa estranha se passava ali?

Pois... tudo não passou de um favor, uma migalha que a igreja deu aos páis destroçados, os suícidas são pecadores, não merecem ser encomendados, atentaram contra a vontade de deus. Ainda assim, com receio de ser igualmente pecador, o padre (porreiro, porque até lá foi) apresenta-se "à civíl", tipo off the record, não se compromete.

Segundo consta, estes suícidas, pecadores, não têm mesmo direito a entrar no céu, ficam no purgatório.

Esta, meus amigos, é a igreja de misericórdia, a igreja que acode e acolhe os aflitos, a igreja que representa o amor e a fraternidade eterna e suprema.

Bem, o assunto do homem misterioso ficou resolvido.

Os factos são só para quem os quer vêr. Por isso abandonei a igreja há muitos anos. Por isso não acredito em padres nem religiões. Por isso só lá entro, básicamente em duas circunstâncias, ou num casamento a contar o tempo que falta para a festa, ou num velório porque, infelizmente, é o sítio para onde foram todos os mortos que conheci.

Desta história só há uma coisa a reter:

Ainda não tinha 25 anos e não conseguiu viver com a vida que deus lhe deu.

Atirou-se da Ponte 25 de Abril.

 

 

Nota: Não escrevo igreja, deus, nem outras cenas, com letra maíuscula por vontade própria. 

 

 

  

   

06
Set18

Pé de chinelo


Constança

20180901_100947.jpg

Espero por ti horas infindáveis...pego na mochila de pseudo artista e vou sentar-me na tasca mais xunga que encontrei nos últimos tempos. Tem duas mesinhas na rua e, é lá que me sento, por não aguentar o cheiro de vinho e bagaço que emana do interior.

Reparo, à medida que tiro o material dos rabiscos, que a mesa cola com tanta sujidade. Nem quis olhar à volta. Quando chegares hás-de chamar-me pelo nome e sei que és tu.

A coisinha mais agradável que arranjei para aguarelar foi o meu pé de chinelo, ornamentado com um vestido de verão, abanando por baixo da mesa imunda.

Por fim, ouvi o meu nome. Vamos para a praia.

10
Ago18

Devaneios de Verão - Sol


Constança

Sabe-me bem o  quentinho do sol nas costas. Dá-me sono e faz-me viajar.

Hoje quando sair da praia vou comprar material de aguarela, vou pintar a minha viagem da próxima semana. Vou tirar fotos, mas algumas coisas vou só pintar. É tal experiência de pintar e desenhar em vez de tirar fotografias. 

😉

08
Ago18

Férias


Constança

Depois de um ano da treta em que tanto ansiei por uns dias de férias... hei-los! Uma treta! Estou farta das férias, sou uma insatisfeita. Tornei-me uma insatisfeita.

09
Abr18

Amadeo Modigliani


Constança

Não sou pintora mas gostava de ter sido. Pinto por desporto, de forma amadora mas com paixão. Na verdade, uma paixão inexplicável... não sei de onde vem. 

Talvêz por isso, uma das coisas que mais adoro e onde me perco, é no tempo que levo a ler biografias de artistas (mais e menos conhecidos), ver filmes e documentários sobre eles e ser uma adoradora da boémia Paris do fim do século XIX, princípio do século XX.

Embora todos considerem os artistas uns loucos, eu por mim, considero que não podemos responder ao apelo da criatividade sem nos libertarmos das amarras da vida banal e quotidiana de empregado de escritório, ou qualquer coisa que o valha. Por isso, estes autênticos criadores, visionários de um mundo que não está acessecivel  aos olhos de qualquer um, costumam ser considerados doidos varridos, bebados, drogados e sei lá mais o quê.

Um dos artistas sobre quem, ultimamente, me debrucei foi Modigliani. Não consigo deixar de sentir uma impressão de ressaca quando leio sobre ele, mas tinha um certo romantismo este homem.

Muito bebado, entre outras coisas, Amadeo tinha um dom para o simbolismo.

Diz-se que os olhos são o espelho da alma, a qual buscava incessantemente nos seus modelos, e, enquanto não a conhecia, não lhes pintava os olhos. Emocionava-se com a beleza e as senhoras emocinavam-se com ele. Não foi por acaso que os seus nús (além dos retratos) foram dos quadros mais populares do século XX. Imagino que não lhe seria difícil encontrar modelos. Quem não gostava muito disso era a polícia, que entrava pelas exposições a ordenar que retirassem os quadros "impróprios" das montras.

Na busca pela alma, encontrou a de Janne Hébuterne e roubou-lha. A rapariga viveu o resto dos seus dias enfeitiçada pelo italiano. Deixou uma filha para ir ao encontro do seu amor, e suicidou-se (grávida de outra criança) no dia seguinte à morte de Modi para ir novamente ao encontro deste. 

Do meio de "Modi" faziam parte outros mitos, tais como Picasso, Urtrillo, Diego Rivera, e o grande, mas mesmo grande Amadeo de Souza Cardoso. Conheceu Renoir. 

Viveu rápida e intensamente, como se soubesse que uma tuberculose mal curada voltaria em força para o levar com 35 anos.

Profundo, misterioso, visionário, e incompreendido.

Amadeo Modigliani: 1884 - 1920

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O Grande Nu, óleo sobre tela, 73×116 cm, 1917 - Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA

 

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