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Hortelã Pimenta

Hortelã Pimenta

09
Abr18

Amadeo Modigliani


Constança

Não sou pintora mas gostava de ter sido. Pinto por desporto, de forma amadora mas com paixão. Na verdade, uma paixão inexplicável... não sei de onde vem. 

Talvêz por isso, uma das coisas que mais adoro e onde me perco, é no tempo que levo a ler biografias de artistas (mais e menos conhecidos), ver filmes e documentários sobre eles e ser uma adoradora da boémia Paris do fim do século XIX, princípio do século XX.

Embora todos considerem os artistas uns loucos, eu por mim, considero que não podemos responder ao apelo da criatividade sem nos libertarmos das amarras da vida banal e quotidiana de empregado de escritório, ou qualquer coisa que o valha. Por isso, estes autênticos criadores, visionários de um mundo que não está acessecivel  aos olhos de qualquer um, costumam ser considerados doidos varridos, bebados, drogados e sei lá mais o quê.

Um dos artistas sobre quem, ultimamente, me debrucei foi Modigliani. Não consigo deixar de sentir uma impressão de ressaca quando leio sobre ele, mas tinha um certo romantismo este homem.

Muito bebado, entre outras coisas, Amadeo tinha um dom para o simbolismo.

Diz-se que os olhos são o espelho da alma, a qual buscava incessantemente nos seus modelos, e, enquanto não a conhecia, não lhes pintava os olhos. Emocionava-se com a beleza e as senhoras emocinavam-se com ele. Não foi por acaso que os seus nús (além dos retratos) foram dos quadros mais populares do século XX. Imagino que não lhe seria difícil encontrar modelos. Quem não gostava muito disso era a polícia, que entrava pelas exposições a ordenar que retirassem os quadros "impróprios" das montras.

Na busca pela alma, encontrou a de Janne Hébuterne e roubou-lha. A rapariga viveu o resto dos seus dias enfeitiçada pelo italiano. Deixou uma filha para ir ao encontro do seu amor, e suicidou-se (grávida de outra criança) no dia seguinte à morte de Modi para ir novamente ao encontro deste. 

Do meio de "Modi" faziam parte outros mitos, tais como Picasso, Urtrillo, Diego Rivera, e o grande, mas mesmo grande Amadeo de Souza Cardoso. Conheceu Renoir. 

Viveu rápida e intensamente, como se soubesse que uma tuberculose mal curada voltaria em força para o levar com 35 anos.

Profundo, misterioso, visionário, e incompreendido.

Amadeo Modigliani: 1884 - 1920

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O Grande Nu, óleo sobre tela, 73×116 cm, 1917 - Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, EUA

 

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