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Hortelã Pimenta

Hortelã Pimenta

06
Dez17

Hoje fiz alguém infeliz


Constança

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A loucura Natalícia está instalada! Olho à minha volta e já andam todos com a capinha vermelha às costas, uns trazem gorro, outros uma grande barriga, outros grandes barbas e outras vestem-se de Mãe Natal, igualmente de vermelho, mais elegantes ou mais anafadinhas, mas com colares de sino ou brincos de bolas decorativas. Mas todos vestem... Natal! Há uns dias atrás, não passavam de comuns mortais, cinzentos ou sepia, pessoas a quem só resta um passado longínquo, pessoas que não esperavam muito mais. Pessoas a quem os dias iam correndo, um de cada vêz, só porque sim. Havia pessoas boas, pessoas neutras e, claro, pessoas más. Estas últimas mais cinzento-amarelado, pelo tempo, pela frustração, pela angústia. E também por aquela horrível palavra (que só se usa para descrever algo mesmo ruim) que é a inveja da felicidade dos outros, dos que são felizes mesmo quando não é Natal. Dezembro entrou no fim de semana e na segunda feira seguinte, pumba! O cenário era este... todos com a indumentária natalícia, capinhas, gorros, fitas e sininhos. Todos a serem bonzinhos para receber prendas do Pai Natal, que agora já está alerta e espreita-nos em todo o lado. Se estiver ocupado, manda uns duendes que depois lhe reportam as malandrices. You can run but you can't hide... bolas! E assim vai agora o dia a dia. Todos vestem vermelho, enfeites, mais que muitos. Sinto-me ofuscada por tanto brilho. Uma pessoa cinzento-amarelada pergunta com o ar mais feliz e festivo que se pode ter: "Vais ao jantar de Natal???😄", respondi secamente: "Não!😑". A desilusão foi visível em seu rosto. E com a sua veste vermelha, afastou-se, a arrastar a capa e, com certeza, a pensar: "Como podes ser tão insensível ao Natal?". Moral da história: hoje fiz alguém infeliz. Nota: eu vestia uns jeans azuis e uma camisola preta.

03
Dez17

Depois de fazer a árvore de Natal


Constança

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O que mais gosto em Dezembro é da árvore de Natal. Depois de a fazer, gosto de me deitar no sofá e ficar a apreciar o efeito das luzes na parede. Ás vezes chego a adormecer naquele embalo. A calma que me invade é inexplicável. E todos os anos, nestes momentos, revivo mentalmente os mesmos episódios do passado. Sempre os mesmos, cenas particulares, dias e momentos específicos. Esses são os meus recantos secretos. Como um quartinho em que entro e fecho a porta. Ninguém mais lá vai, só eu. Sempre que preciso vou lá um bocadinho. Sem marido, sem filhos, amigos, ninguém... Lá está guardada toda a magia que o Natal representa para uma criança. Mesmo quando depois de adulto percebe que não era nada daquilo e que entendemos tudo mal. Mas o sentimento ninguém nos tira. Porque mesmo depois de deixar de acreditar no Pai Natal, reconforta-nos voltar a sentir aquilo tudo outra vez. Refúgios da mente para enfrentar o mundo adulto. Faz parte de mim. Boa noite.😊

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